CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL
Lei Nº 13.105, de 16 de Março de 2015.
Artigo 655
Transitada em julgado a sentença mencionada no art. 654 , receberá o herdeiro os bens que lhe tocarem e um formal de partilha, do qual constarão as seguintes peças:
I - termo de inventariante e título de herdeiros;

II - avaliação dos bens que constituíram o quinhão do herdeiro;

III - pagamento do quinhão hereditário;

IV - quitação dos impostos;

V - sentença.

Parágrafo único. O formal de partilha poderá ser substituído por certidão de pagamento do quinhão hereditário quando esse não exceder a 5 (cinco) vezes o salário-mínimo, caso em que se transcreverá nela a sentença de partilha transitada em julgado.


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Resumo Jurídico

Desvendando o Artigo 655 do Código de Processo Civil: A Ordem de Penhora

O artigo 655 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece uma diretriz fundamental para a atuação do oficial de justiça na fase de execução: a ordem legal de preferência dos bens passíveis de penhora. Em outras palavras, quando um devedor não cumpre voluntariamente sua obrigação e é necessário realizar a cobrança judicial, o artigo 655 dita a sequência em que os bens do devedor devem ser buscas e apreendidos para satisfazer o credor.

Por que uma Ordem Específica?

Essa ordem não é arbitrária. Ela busca garantir que a penhora seja realizada de forma mais eficiente e que o devedor tenha seus bens menos essenciais afetados prioritariamente. Assim, o legislador buscou um equilíbrio entre a necessidade do credor de receber seu crédito e a proteção do patrimônio mínimo do devedor.

A Sequência Legal

O artigo 655, em seu caput, apresenta a seguinte ordem de preferência para a penhora, de forma geral:

  1. Dinheiro: Em espécie ou em depósito ou aplicação em instituição financeira.
  2. Títulos da dívida pública de livre negociação: Títulos emitidos pelo próprio Estado ou por suas autarquias, que podem ser vendidos facilmente no mercado.
  3. Vales ou a vista de ações negociadas em bolsa: Participações em empresas cujas ações são negociadas publicamente.
  4. Títulos de crédito: Cheques, notas promissórias, duplicatas, letras de câmbio, etc.
  5. Gado: Animais de produção.
  6. Imóveis: Bens imóveis, como casas, apartamentos, terrenos.
  7. Navios, aeronaves: Meios de transporte de grande porte.
  8. Veículos de via terrestre: Automóveis, motocicletas, caminhões, etc.
  9. Móveis: Bens que guarnecem a residência ou o estabelecimento comercial do executado.
  10. Eletrodomésticos e eletrônicos: Equipamentos de uso doméstico e tecnológico.
  11. Equipamentos e máquinas: Ferramentas e maquinário utilizados em atividades profissionais ou industriais.
  12. Direitos e ações: Direitos sobre bens, como direitos de promitente comprador de imóvel, ou ações judiciais que o executado possua.
  13. Salário, vencimentos, aposentadorias e pensões: Valores recebidos pelo executado a título de remuneração ou benefício previdenciário.
  14. Percentual de faturamento de empresa: Uma parte da receita bruta da empresa devedora.
  15. Pedras preciosas e objetos de arte: Bens de valor ornamental ou artístico.
  16. Ouro, prata e dinheiro estrangeiro: Metais preciosos e moedas de outros países.

A Flexibilidade da Lei

É importante ressaltar que essa ordem não é absolutamente rígida. O § 1º do artigo 655 prevê que, caso haja algum motivo de força maior, o juiz pode determinar a penhora de outros bens, mesmo que não estejam na ordem legal. Essa flexibilidade permite que o processo de execução seja adaptado às peculiaridades de cada caso, buscando sempre a efetividade da satisfação do crédito.

Além disso, o § 2º do mesmo artigo estabelece que, na falta de bens na ordem preferencial, o executado indicará bens à penhora, sob pena de serem penhorados aqueles que o exequente indicar. Essa disposição visa incentivar a colaboração do devedor em encontrar bens para garantir a dívida.

Conclusão

O artigo 655 do CPC é uma ferramenta essencial para a condução da execução judicial, estabelecendo um critério objetivo para a apreensão de bens. Ao priorizar certos bens em detrimento de outros, a lei busca otimizar o processo, proteger o devedor e garantir que a justiça seja feita de forma mais célere e eficaz. A compreensão dessa ordem é fundamental para advogados, partes e demais operadores do direito envolvidos em processos de cobrança judicial.